Futebol/Ricardo Almeida - 24/7/2005 11:17:00

Categorias de Base – a base de tudo!

Falamos constantemente, nesse espaço, sobre as possibilidades de geração de receita aos clubes, objetivando que a saúde financeira dêem alternativas de sobrevivência e de frutos em um futuro próximo. Mas quando expressamos nossa insatisfação, é principalmente pelo descaso que inúmeros clubes tratam uma perspectiva de crescimento sólida: a formação de futuros craques.

Do ponto de vista do atleta, o jovem que se inicia dentro da prática do esporte tem sua auto-estima reforçada pela possibilidade de tornar-se um jogador profissional, começa a ter noção de responsabilidade, da importância pela busca de resultados, de senso e espírito de equipe, de noções de liderar e ser liderado, de como reverter uma condição desfavorável, de que as cobranças, nessa ou em todas as demais profissões, são inevitáveis.

Em relação ao clube, essa ação é interpretada pelo público como uma prática de responsabilidade social, possibilitada pela eventual isenção de impostos no projeto, de acordo com o Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) e pela oportunidade gerada aos jovens, reforçando sua marca e buscando formar novas gerações de torcedores, que serão seus futuros consumidores de amanhã. Investir na base exige investir em profissionais capacitados, entre nutricionistas, fisiologistas, assistente social, enfim, profissionais da saúde, do marketing, da administração, que visam dar sustentabilidade ao projeto.

Paralelo a isso é fundamental o apoio educacional e familiar, pois o atleta formado pelo clube retrata exatamente aquilo que, tanto a família quanto o meio em que convive, ele assimilou de conceitos e da idéia de valores. Gosto de dar exemplos positivos: Kaká é um atleta formado pelas categorias de base que, mesmo proveniente de uma família que lhe proporcionou condições de estudar e praticar esportes, é percebido como uma pessoa com valores muito bem definidos, que o valorizam perante a sociedade e, conseqüentemente, na imagem do clube que o revelou e na remuneração de seus contratos.

Outro atleta, Robinho, não é diferente disso, pois sendo de origem humilde, foi suficientemente orientado para agir conforme os padrões que nossa sociedade exige, e de acordo com sua formação. O Santos Futebol Clube, através do seu departamento de marketing, sabe que o valor agregado na simples presença de Robinho vinculado ao clube gera uma empatia junto ao público e uma possibilidade de novos negócios que estão muito acima do que foi investido no craque durante todo seu período como atleta amador, e que fica difícil de prever qual o retorno de investimento que isso pode proporcionar.

Mais importante que tudo que foi relatado, é que, em projetos dessa relevância, estarão sendo formados novos cidadãos, sabedores dos seus direitos e deveres, com novas perspectivas e, invariavelmente, apaixonados pelo futebol como qualquer brasileiro.