Futebol/Ricardo Almeida - 7/8/2005 03:22:00

Políticas Salariais de Clubes de Futebol

Se há algo constrangedor, é falar de salário. Ainda mais quando é o salário de outros. Mas o motivo desse artigo é discutir alguns conceitos pertinentes à saúde financeira dos clubes. E quando falamos de custos, um dos principais fatores que influenciam – e inflacionam - uma planilha de custos de um clube são os salários astronômicos dos atletas.

Contraditoriamente, há pouco tempo, um jornal televisivo de renome mostrou uma reportagem sobre os salários de jogadores de futebol. Conclusão: 96% dos jogadores profissionais ganham menos de mil reais. Somente alguns poucos é que tem a oportunidade de realizarem o sonho de ganhar o suficiente para vislumbrar uma independência financeira dentro da profissão.

Vejo atualmente em grandes empresas um constante achatamento dos salários e um crescente incentivo nas políticas de remuneração por performance e de metas e objetivos alcançados. Essa situação incentiva à produtividade, mostra os funcionários que efetivamente estão comprometidos com os resultados gerados e dão a sensação de reciprocidade.

Uma alternativa seria um incremento na política dos bichos oferecidos, ou prêmios por vitória, de tal forma que a composição salarial tivesse um percentual maior em relação aos prêmios conquistados, e um percentual menor sobre o salário fixo em si. Isso exigiria dos clubes um maior planejamento, sendo transparente nessa questão junto aos atletas e assumindo esse compromisso de forma conjunta.

O importante nessa discussão é buscar fixar um teto salarial dentro da categoria, de tal forma que não haja uma distorção tão grande como ocorre atualmente, e que não impacte de forma negativa aos cofres do clube. Se um clube deixa de pagar seu atleta por três meses, é o suficiente para que o atleta entre com uma ação na justiça do trabalho requerendo seus direitos federativos. E essas ações têm valores indigestos para os clubes.

Considero também que, dentro de um período, o clube que eventualmente faz uma campanha insuficiente e não avança em uma competição, perde uma de suas alternativas de receita mais importantes, que é a bilheteria e o movimento do comércio que gira em torno do evento. Porém, o clube não está isento de pagar o salário do atleta.

Como conseqüência, existe a possibilidade de aumento do êxodo dos jogadores para clubes de países que oferecem mais benefícios, o que já é enorme. Mas estamos falando da relação de trabalho que envolve custo-benefício, ou seja, justamente aquilo que os clubes mais esperam de seus atletas: dê-me vitórias que te recompenso.